Vejo o tempo
E a vida, juntos,
Passarem por mim.
Vida e tempo
Se confundem no universo
De atitudes,
Nas quais recuso-me
À somar.
Não tomar atitudes
Requer assumir conseqüências
Cuja essência , que existe,
Não quero, aqui, comentar.
O tempo e a vida,
Seguramente,
Não só passam,
Mas me carregam
Junto a eles,
Prá sempre.
E a situação é caótica,
Pois não entendo a essência,
Leva-me inebriado
Para um lugar nunca chamado
Por um nome,
Por alguém.
O canto dos pássaros
E o assobio do vento
Não são mais que ruídos.
As ondas do mar,
O brilho da lua,
Os pingos da chuva
Não são mais que detalhes.
Inebriado nesse emaranhado
Passam braços, pernas
E rostos.
E o desgosto presente,
Com certeza,
De quem pressente
Que a vida passa,
Junto ao tempo;
E você, ah você...
Vai de qualquer maneira.
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